
Então, você recebeu uma fôrma para fazer seu projeto e pode estar
meio perdido para começar o processo. Lembro aqui que são raros os casos onde
você vai começar direto da forma, salvo algumas possibilidades, entre elas o
fato de você estar em posição de participar não apenas do desenho do solado,
mas de outros aspectos do calçado novo em geral. Pode ser também, que você
esteja trabalhando dentro de uma empresa e tem recebido oportunidades de
expandir seus conhecimentos. Isso se deve a que a definição de qual fôrma
utilizar no novo projeto é uma das etapas mais iniciais do processo de
desenvolvimento de um novo produto em uma indústria calçadista. De modo geral a ordem de ocorrência para um novo solado dentro da
indústria é o seguinte: - Escolha da Fôrma: Um novo calçado será
inserido em uma linha já existente ou será marco inicial de uma nova linha de
produtos. E isso pode ter início em um calçado importado ou da concorrência. Ou
até mesmo uma fôrma nova que a indústria de formas desenvolveu e apresentou para
a fábrica de calçados que se interessou no design da peça. Pode ser que façam
algumas mudanças para aproximar da identidade da marca junto ao seu público. O
contorno e assentamento da fôrma estarão presentes no solado, então esta etapa
precisa estar resolvida para seguir com o projeto. - Definida a fôrma, em paralelo estão em andamento pesquisa de
couros, cores e materiais que se identifiquem com este novo produto a ser
lançado. Dependendo do caso, neste ponto já se tem um primeiro protótipo para
testar a forma e suas características conjugadas em um produto pronto,
utilizando um solado de contorno aproximado e avaliando os resultados visuais.
Neste ponto, o estilista já tem uma ideia do tipo de solado que quer aplicar
neste novo produto, então já se definem as relações entre assentamento e
profundidade de encaixe do cabedal no solado. Esta linha de assentamento e
encaixe podem ser ligeiramente alteradas, mas uma vez direcionado o rumo pelo
estilista, é com ele a troca de informações para apresentação do desenho de
solado. - Definidos os couros, materiais e suas
cores, o estilista dispõe de bastante material para começar a simular as
possibilidades visuais deste novo produto. Ele pode incluir você ou não no
processo, de forma que pode abrir espaço para o seu olhar para as linhas do
solado e a forma como tudo se junta no produto final. - Definido o desenho do solado, ele tem algumas possiblidades de
destino: maquetaria, para fazer a maquete técnica ou visual; matrizaria para o
desenhista técnico refazer o desenho dentro dos parâmetros de contração e
materiais da matriz de produção. - Após este
estágio, já se tem em mãos quase todos os ingredientes do novo produto, a
empresa já está planejando a apresentação ao público através da campanha de
marketing, que irá se beneficiar lá das informações presentes no briefing que
você pediu. Mas nós começamos este capítulo imaginando
você com a fôrma na mão e o projeto para desenvolver. Agora que leu o trânsito
envolvido na fôrma, percebeu que não é tão comum assim a fôrma ser entregue na
sua mão. Mas, mesmo se ocorrer, o procedimento é simples: você vai precisar de
um instrumento chamado “escadinha”, que é exatamente o que o nome diz. É uma
peça plástica, em formato de escada, porém cada degrau possui 5 milímetros.

Para iniciar o processo, você posiciona a
fôrma em uma superfície plana, posiciona a escadinha no degrau correspondente a
2cm e observe a distância que se apresenta entre o bico e a superfície (X).
Rascunhe e anote estas relações. Meça onde a planta da fôrma está tocando a
superfície e marque todos os pontos principais em uma linha no sentido de
comprimento da sola. Assim, você marca o início do salto, o final do bico e
onde a planta toca a superfície (Y). Coloque a escadinha de lado e posicione a
forma ao longo dessa linha. Com o lápis desenhe o contorno da fôrma e pronto:
você tem as informações sobre contorno, assentamento e comprimento do seu
solado. Lembre-se que estas medidas são INTERNAS, e agora, dependendo do
material e estilo de solado, você vai aumentar no mínimo 3 milímetros o
contorno para aproximar-se do real a ser criado.
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