16 - AGORA É COM VOCÊ!

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Pois bem: o sapato a ser usado como pontapé inicial do seu projeto de solado já está em mãos, o prazo já foi combinado com o cliente (para ontem, é claro), e você já sabe de qual matéria-prima será o solado, bora desenhar? Só mais uma coisinha: vou aproveitar a oportunidade para comentar o que penso daquilo que chamam por aí de inspiração, epifania, sacada. Olha, não espere se sentir “inspirado” para realizar seu desenho. O que eu pude perceber ao longo dos anos, é que existe em determinados momentos uma sensação de extremo prazer e felicidade no momento em que estamos desenhando e tudo parece se encaixar, os traços parecem sair sozinhos e sem esforço da lapiseira. Sim, isso existe. Agora, acreditar que essa é a regra, que sempre acontece assim, aí é ilusão. Digamos que você ainda não tem em mãos algum projeto para criar. A sugestão que dou é simples: dentre os calçados que você possui, separe um tempo para decifrar como ele é feito, quais partes compõem seu solado, se recon...

05 - O PROCESSO CRIATIVO




PROCESSO CRIATIVO é um passo a passo que você deve seguir para cada projeto. O processo criativo varia muito de profissional para profissional, e no meu caso ele possui 5 passos: Briefing do Cliente, Pesquisa Imersiva, Croquis, Seleção e  Escolha.  
BRIEFING DO CLIENTE: coleta de informações do cliente referente ao projeto a ser desenvolvido. 
PESQUISA IMERSIVA: a partir de tudo que você absorveu sobre o projeto, agora é partir para a pesquisa das referências. Pesquise marcas concorrentes, design de faróis de carros, relógios. Olhe em locais diferentes, fuja dos lugares comuns de pesquisa, que são os sites de calçados mais conhecidos. Olhe lá também, óbvio, mas seja determinado, aprenda palavras-chave em inglês, por exemplo e use para buscar imagens diferenciadas. Crie uma pasta no computador para salvar as pesquisas referentes a cada tipo de projeto. Não tenho uma regra de tempo para aplicar aqui, mas acredito no seguinte: prefiro ter dificuldade em selecionar as referências por serem muitas do que a dificuldade de selecionar por serem poucas imagens. Não seja econômico. 
CROQUIS: aqui o que eu faço é colocar em exibição de slides a pasta de imagens selecionadas e começo a rabiscar os croquis. Eventualmente pauso uma imagem ou outra para ver detalhes. Se vou apresentar 02 sugestões de solado, eu gosto de fazer pelo menos 04 croquis, e selecionar os 02 que eu mais me sentir seguro em relação a eles.  Releio o briefing, olho os croquis escolhidos e decido se passo para o próximo passo ou se faço mais croquis ou pesquisa. 
SELEÇÃO: neste ponto seleciono os 02 croquis que serão passados a limpo e apresentados ao cliente. Gasto um tempinho olhando para eles, repassando mentalmente a conversa com o cliente e me certificando de que vou apresentar desenhos coerentes e que não são cópias. 
ESCOLHA: os desenhos que se destacaram na seleção são revisados e as fraquezas de cada um deles é repensada para ser corrigida.  Feito isso o próximo passo é passar os croquis escolhidos a limpo, usando régua, gabaritos e curva francesa. Aqui posso apresentar o desenho manual com cores e texturas ou transferir o desenho para o computador, trabalhando cores, texturas e volumes com mais realismo. Dependendo do seu cliente, ele já possui um olhar que compreende o traçado técnico, identifica altos e baixos relevos e enxerga como você o que está desenhado à mão.  

Um detalhe importante: o desenho no computador pode maquiar uma idéia pobre e convencer a você e seu cliente que o projeto ficou bom pelo fato do desenho estar “bonito”. Tome EXTREMO cuidado com isso: seja muito exigente consigo mesmo. O ideal é que o projeto seja uma boa idéia desde sua concepção. Que ele realmente seja de seu agrado, seja sua melhor proposta para aquele briefing, aquela demanda. Os passos seguintes do processo de maquetaria e matrizaria irão apenas revelar mais qualidades de seu projeto, de modo que a expectativa do seu cliente seja positivamente superada ao ver o produto pronto, e ao olhar seu desenho notar que já estava tudo ali contido. Digo isso pois uma idéia maquiada pelo computador será revelada em detalhes na maquetaria e produção. E neste ponto da história, seu cliente pode se sentir de certo modo enganado por aquilo que foi apresentado a ele. No melhor cenário, seu cliente irá ficar um pouco desconfiado com seu trabalho, mas ainda assim pode te dar outra oportunidade. No pior cenário, ele perde a confiança em seu trabalho e faz questão de comentar isso com o networking dele, o que irá gerar imenso prejuízo a você. Ou seja: NUNCA entregue um trabalho sobre o qual você não esteja convencido de ser sua melhor proposta. Mestre Jota certa vez me disse algo mais ou menos assim: quando você entrega um trabalho, a energia dele entra em uma esteira que sempre volta para você. Se você colocar energia ruim, ela vai voltar.  Então, sempre alimente a esteira com SEU MELHOR.
A seguir, assista a aula em vídeo abordando o PROCESSO CRIATIVO:
      


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