“VER ACONTECE ANTES DAS PALAVRAS.
A CRIANÇA VÊ E RECONHECE ANTES MESMO DE PODER FALAR”

Olhar é um ato de escolha. Temos muita coisa disputando nossa atenção, nosso olhar. Telas iluminadas por todos os lados em forma de celulares, televisores, tablets, etc. e mesmo dentro de tais telas, publicidades sem fim, notificações e avisos. Mas queremos treinar nosso olhar.
A maior parte do trabalho de nosso cérebro é destinado a processar aquilo que entra pelos nossos olhos. Estima-se que um terço do cérebro trabalha na análise e processamento das informações visuais. Receber o estimulo, processar e informar a sua consciência o que é aquilo que se está vendo.
Existe o ditado: o que foi visto não pode ser desvisto. Uma vez que algo foi visto, o cérebro faz o registro e armazena. E estas imagens armazenadas se não forem imediatamente acessadas pela lembrança, ficam guardadas no seu subconsciente a espera de oportunidade de participar daquilo que você for desenhar. Vamos nos lembrar que nosso foco é relacionar o olhar ao objetivo de captar formas interessantes, contrastes, cores, etc.
Quando falo sobre treinar o olhar é uma prática até relativamente simples: você pode treinar segurando uma moeda em sua mão em uma distância confortável de seus olhos. Sem pressa, vá acompanhando as linhas e formas que ali estão representadas. Os relevos, texturas, cada detalhe. Você vai se surpreender com as descobertas que irá fazer. Faça o mesmo com notas de dinheiro, você vai perceber que nunca imaginou no trabalho artístico ali contido, e que achava que era uma cor simples e pronto.
Agora volte seus olhos para suas mãos, observe seus dedos, olhe a textura de nossas digitais nas pontas dos dedos. Olhe a riqueza de detalhes nas dobras de seus dedos, onde a pele da palma da mão vai sutilmente se alterando para ser a pele das costas de sua mão.
Percebeu que tudo se resume a fechar o foco e atenção a detalhes? E você pode aplicar este princípio de observação e foco a praticamente qualquer coisa. Uma fila de espera pode ser uma oportunidade de observar os detalhes do forro, da janela, cadeiras, pisos, etc. Experimente sentar-se em um parque ou praça arborizada e passe a observar a diversidade de formatos de linhas que formam os galhos, o desenho das folhas.
Aqui entra a importância da fotografia. Sugiro dois tipos de experiência: na primeira, vá a algum lugar já bem conhecido e faço uma foto. Depois abra essa foto na tela do computador ou celular de modo ampliado e perceba alguns detalhes que você não tinha percebido mesmo passando sempre por ali. A segunda, é o inverso: vá a algum lugar novo para você e escolha algo para fotografar. Aqui, neste ponto você vai perceber que teve maior ou menor dificuldade para escolher o assunto a ser fotografado. Se foi fácil, o treinamento está indo bem. Se encontra muita dificuldade para escolher o clique, refaça as etapas anteriores.
Por fim, amplie seu gosto pessoal formal, visite museus, exposições de arte, repare mais na arquitetura de sua cidade, se dedique a, por exemplo, pesquisar o histórico de seu modelo de carro favorito. Isso mesmo, desde sua primeira versão lá nos anos antigos até suas versões mais recentes, com esses faróis enormes e grades dianteiras gigantes. Observe as linhas do carro em perfil, de frente e traseira, as proporções entre dimensões dos pneus e carroceria, onde foi parar o para-choque, será que essas luzes traseiras estão de algum modo relacionadas formalmente com as dianteiras?
Perceba que alguns carros parecem ter sido feitos por meio de uma comissão onde vários opinaram e o resultado não faz tanto sentido estético.
Enfim, estes princípios de observação podem e devem ser aplicados em seu dia-a-dia e aí logo você vai perceber que nunca mais olhou um estacionamento de supermercado da mesma forma. Ali está uma riqueza de detalhes e formas que poderão ser utilizados para ajudar a esboçar suas ideias criativas.
Assista a aula em vídeo sobre treinar o olhar:
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